Branqueamento ou ação repetida de cuidar, 2019

90'

A performance se constitui de três atos subsequentes. No primeiro ato, vestido com calça e camisa branca, permaneço sentado diante de um recipiente com seis frascos de desodorantes aerossol. Um áudio é disponibilizado no ambiente com o relato de uma experiência racista que vivenciei na escola, e à medida que o comportamento que adotei diante da mesma vai sendo narrado, expondo meu corpo nu, faço a utilização dos desodorantes, esgotando-os. O processo de aplicação não se limita às axilas, estendendo-se para todas as partes do meu corpo.

 

No segundo ato, na tentativa de minimizar os danos causados pela utilização exagerada dos desodorantes, recorro a uma prática ancestral para atenuar as irritações que eles me causaram. Nesse momento da performance, produzo um banho de óleos, e aplico sobre a pele irritada a essência concentrada de óleo de arruda com azeite extravirgem.

 

No terceiro ato, na sequência da aplicação do óleo de arruda, preparo um banho de ervas para que possa me lavar. Ainda nu, diante de dois recipientes, um maior para que possa acomodar meu corpo em pé, e um menor com água quente e as ervas a serem maceradas, realizo o preparo de um banho. De joelhos diante do recipiente menor, macero as ervas e as misturo com a água quente. Assim que esta fica morna e pronta para ser utilizada, e tendo as essências das ervas já sido incorporadas ao conteúdo, em pé, dentro do recipiente maior, aplico o preparo sobre o corpo, respeitando o limite do pescoço até os pés.

A performance Branqueamento ou ação repetida de cuidar compõe a série Exercícios para se lembrar, 2018-2021, e foi executada no 26º aniversário do Museu Capixaba do Negro (MUCANE), em Vitória/ES; na III Mostra Movediça de Performances, na Galeria Liberdade, em São Paulo/SP; e na p-ARTE – Plataforma de Performances, edição nº 42, em Curitiba/PR

Imagens: Flávio Ribeiro